Category: Literatura

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Ao Britinho, com amor.

IRMÃO SOLIDÃO
Higesipo Brito Júnior
22.11.1943 – 02.09.1998
LEILA BRITO
Como uma vida
se ocultando no ventre da mãe
como uma noite
se perdendo no escuro do céu
como uma concha
se escondendo no fundo do mar
força contida
na dor oprimida
na ausência sentida
na sorte exaurida de ter e sonhar.

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Sobre o Alvoroço da Visita de Betty Friedan ao Brasil

AS MULHERES
ROSE MARIE MURARO

Em 1971, a Editora Vozes fazia setenta anos, e a ideia era comemorá-los com tudo a que se tinha direito. Pedi licença ao diretor para trazer um autor estrangeiro. Eu queria convidar ou Nornan Brown, que fazia muito sucesso na época, Michel Foucault, ou então Betty Friedan. Madre Cristina, de São Paulo, me deu o livro de Betty Friedan para ler, e eu tinha gostado tanto que a tradução já estava pronta. Falei com ela ao telefone e ela se prontificou a vir só pela passagem, a estada e o que acontecesse, principalmente.

Fiquei com medo do evento, talvez porque eu esperava que seu livro ficasse fechado dentro das paredes das universidades. Mas, mesmo antes dela chegar, as coisas começaram a acontecer. O Pasquim fez uma entrevista preparatória comigo. Lá estavam Glauber Rocha, Paulo Francis, Ziraldo e toda a patota. Foi aí que percebi o que o feminismo realmente significava para os homens. Tenho certeza de que os “juntei”, porque eles não sabiam nada das articulações da opressão das mulheres com o econômico… Só pensavam no medo que as novas mulheres lhes causavam.
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A Visão Apocalíptica de Bukowski

DINOSAURIA, WE
CHARLES BUKOWSKI

nascido assim
nisso

como o giz de faces sorridentes
como a Sra. Morte às gargalhadas
como as paisagens políticas dissolvidas
como o peixe oleoso cuspido
fora de sua oleosa vítima.

nós nascemos assim
nisso

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O Inconformismo De Bukowski

SE NEGA A DIZER NÃO
CHARLES BUROWSKI
Há uma solidão nesse mundo
tão grande que você
pode ver em câmara lenta
nas mãos de um relógio

pessoas tão cansadas
mutiladas por amor
ou pelo não amor
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O Underground Charles Bukowski

BUKOWSKI – BORN INTO THIS
ENTREVISTA
Qual é a sua definição de sexo?
Sexo é algo que você pode fazer, quando não consegue dormir. Eu não tive o meu pedaço de bunda até meus 24 anos. Eu não era um cara bonito. Não tinha dinheiro. Eu era um vagabundo.
Quem foi sua primeira mulher?
Pois bem, foi com uma puta de 300 kg. Desculpe, sabe? Como eu nunca fui do time da escola ou algo assim, eu era renegado. Então, eu conheci essa garota no bar e… Ela parecia gostar de mim. A primeira garota que gostou de mim, sabe? Ela tinha uma bunda enorme, ela era uma mulher.
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A Poesia Marginal De Bukowski

O GÊNIO DA MULTIDÃO
CHARLES BUKOWSKI
Há suficiente traição
ódio e violência absurda
no ser humano mediano
para abastecer qualquer exército
em qualquer dia
e os melhores em matar
são aqueles que pregam contra
e os melhores em odiar
são aqueles que pregam o amor
e os melhores na guerra
– finalmente – são aqueles
que pregam a paz.
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Luana Simonini em poética “Revoada”

REVOADA

LUANA SIMONINI

O que tem por trás das despedidas? Um abraço longo de duas pessoas que não sabem como será a partir dali.

Despedir é transbordar em reticências.

E eu transbordei, filha. Me afoguei no meu silêncio. Meus pulmões não suportavam mais respirar palavras.

Desmanchei.

Não sei onde perdi as cores da parede desse quarto. Sempre foram brancas? Encardidas como aquele espaço entre um azulejo e outro do banheiro? Um vazio preenchido da sujeira que deixamos pra lá, pra amanhã, pra nunca, pra sempre?

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O poder literário de Luana Simonini

O Poder Literário de Luana Simonini
LUANA SIMONINI

Escrever é confessar. Confesso. Tenho medo da página em branco.
E se a vida espera da gente coragem, como disse Guimarães Rosa, escolhi enfrentar o espaço vazio praticamente todos os dias.
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O poder literário de “Controverso”

Das histórias que beliscam
Leila Brito
Em Controverso, somos atraídos por Luana Simonini ao seu universo de intrigantes personagens que, carregando em suas ações um discurso mudo a desnudar fatos e acontecimentos da vida real, expressam a sua própria concepção ideológica da questão feminina a se debater no cerne de um quotidiano habitado pelas agruras do sistema patriarcal: “O peso do fracasso a derruba para o lado oposto. Do lado de cá do viaduto, caída no asfalto, ela não tem outra opção senão olhar para o céu. De novo, os filhos invadem suas lembranças. Naquela imensidão escura, sente-se irremediavelmente só”.

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Violette Leduc segundo Simone de Beauvoir

PREFÁCIO DO LIVRO “A BASTARDA” DE VIOLETTE LEDUC
SIMONE DE BEAUVOIR
Porque “nunca está satisfeita”, permanece disponível, todo encontro pode aplacar sua fome ou pelo menos distraí-la. A todos com quem cruza concede uma profunda atenção. Desmascara as tragédias, as farsas que se escondem sob aparências banais. Em algumas páginas, em algumas linhas, anima os personagens que atraíram sua curiosidade ou amizade: a velha costureira albigense, que vestiu a mãe de Toulouse-Lautrec; o eremita cego de um olho, de Beaumes-de-Venise; Fernand, o “abatedor”, que sorrateiramente abate bois e carneiros, uma cartola à cabeça, uma rosa entre os dentes. Comoventes, extraordinários, eles nos prendem como a prenderam.