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Sobre o Alvoroço da Visita de Betty Friedan ao Brasil

AS MULHERES
ROSE MARIE MURARO

Em 1971, a Editora Vozes fazia setenta anos, e a ideia era comemorá-los com tudo a que se tinha direito. Pedi licença ao diretor para trazer um autor estrangeiro. Eu queria convidar ou Nornan Brown, que fazia muito sucesso na época, Michel Foucault, ou então Betty Friedan. Madre Cristina, de São Paulo, me deu o livro de Betty Friedan para ler, e eu tinha gostado tanto que a tradução já estava pronta. Falei com ela ao telefone e ela se prontificou a vir só pela passagem, a estada e o que acontecesse, principalmente.

Fiquei com medo do evento, talvez porque eu esperava que seu livro ficasse fechado dentro das paredes das universidades. Mas, mesmo antes dela chegar, as coisas começaram a acontecer. O Pasquim fez uma entrevista preparatória comigo. Lá estavam Glauber Rocha, Paulo Francis, Ziraldo e toda a patota. Foi aí que percebi o que o feminismo realmente significava para os homens. Tenho certeza de que os “juntei”, porque eles não sabiam nada das articulações da opressão das mulheres com o econômico… Só pensavam no medo que as novas mulheres lhes causavam.
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O Racismo e o “Direito de Matar”

A ORIGEM DO RACISMO NA VISÃO DE FOUCAULT
LEILA BRITO
Parte I
A nova tecnologia de poder surgida na segunda metade do século XX
Trata-se do poder sobre a vida – Biopoder – sistema conformado na biopolítica da população, pois composto de mecanismos de regulamentação da assistência à mesma, que a toma como alvo, e não mais o indivíduo objeto do Poder Disciplinar. O poder não é mais exercido sobre o corpo do indivíduo (não mais se tem uma Microfísica do Poder), e sim sobre a vida da população. O poder não mais atua sobre o corpo individual, e sim sobre o corpo social.

Nesse processo, as doenças endêmicas, duradouras, que comprometem as condições de trabalho do indivíduo, sua força produtiva, recebem atenção do Estado, que passa a privilegiar ações de combate às mesmas. Assim, a medicina passa a exercer uma função política e o Estado uma função biolotizante. Tal biopolítica foi necessária para atender as exigências da evolução do sistema de produção capitalista.
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A Família Com Deus Pela Hipocrisia

A FAMÍLIA COM DEUS PELA HIPOCRISIA
LEOPOLDO REZENDE
O algoritmo do Facebook de algum modo nos proporciona uma certa paz de espírito. Ao distanciar minimamente da minha bolha virtual, as questões sobre justiça social e até mesmo a mais elementar empatia humana desaparecem cedendo lugar, quando não ao ódio, à hipocrisia. “O que há de errado em os deputados dedicarem seus votos às suas famílias, aos seus filhos e a Deus?” Perguntam aqueles que compactuaram com o moralismo hipócrita presente no rito do impeachment. Bom, os deputados só se esqueceram de dedicar o voto do “Sim” às acompanhantes de luxo, aos filhos bastardos, aos lobistas mais íntimos… situações típicas em Brasília. Mas isso implicaria estender o conceito de família, não é mesmo?! Algo que geraria um conflito moral de extrema grandeza para os parlamentares (!) e talvez, por isso, seja melhor manter as coisas como estão.

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“Ciência Política”: Mais Política, Menos Ciência

ERIK HAAGENSEN GONTIJO
No dia 21 de dezembro de 2015, Chico Buarque foi abordado numa rua do Leblon por ostrogodos antipetistas que, aos latidos, o afrontaram por seu posicionamento pró-PT e por possuir um apartamento em Paris.
Um deles grita que “o PT é bandido”, no que Chico retruca: “Acho que o PSDB é bandido, e agora? /…/ Procure se informar mais, com base na revista Veja você não irá muito longe”.
A partir da repercussão desse fato, um professor de ciência política da PUC-SP afirmou, em artigo publicado na revista Carta Maior (edição de 28 de dezembro), que a fala de Chico Buarque simplesmente “barrou a suposta moralidade golpista”: