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Violette Leduc segundo Simone de Beauvoir

PREFÁCIO DO LIVRO “A BASTARDA” DE VIOLETTE LEDUC
SIMONE DE BEAUVOIR
Porque “nunca está satisfeita”, permanece disponível, todo encontro pode aplacar sua fome ou pelo menos distraí-la. A todos com quem cruza concede uma profunda atenção. Desmascara as tragédias, as farsas que se escondem sob aparências banais. Em algumas páginas, em algumas linhas, anima os personagens que atraíram sua curiosidade ou amizade: a velha costureira albigense, que vestiu a mãe de Toulouse-Lautrec; o eremita cego de um olho, de Beaumes-de-Venise; Fernand, o “abatedor”, que sorrateiramente abate bois e carneiros, uma cartola à cabeça, uma rosa entre os dentes. Comoventes, extraordinários, eles nos prendem como a prenderam.

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A morte é o “dexistir” do eu

A MORTE É O “DEXISTIR” DO EU ERIK HAAGENSEN GONTIJO Quando o corpo se desliga e tem início sua decomposição, chega ao fim o processo que chamamos de mente e que decorre do funcionamento...

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A Família Com Deus Pela Hipocrisia

A FAMÍLIA COM DEUS PELA HIPOCRISIA
LEOPOLDO REZENDE
O algoritmo do Facebook de algum modo nos proporciona uma certa paz de espírito. Ao distanciar minimamente da minha bolha virtual, as questões sobre justiça social e até mesmo a mais elementar empatia humana desaparecem cedendo lugar, quando não ao ódio, à hipocrisia. “O que há de errado em os deputados dedicarem seus votos às suas famílias, aos seus filhos e a Deus?” Perguntam aqueles que compactuaram com o moralismo hipócrita presente no rito do impeachment. Bom, os deputados só se esqueceram de dedicar o voto do “Sim” às acompanhantes de luxo, aos filhos bastardos, aos lobistas mais íntimos… situações típicas em Brasília. Mas isso implicaria estender o conceito de família, não é mesmo?! Algo que geraria um conflito moral de extrema grandeza para os parlamentares (!) e talvez, por isso, seja melhor manter as coisas como estão.

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O boicote editorial e o preconceito contra o autor nacional

O BOICOTE EDITORIAL AO AUTOR NACIONAL
RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI
Desde muito cedo, tive inclinação para a escrita. E, num dia do final de 1944 (foi numa das minhas últimas aulas que tive no antigo curso primário), a professora perguntou aos alunos o que queriam ser quando crescessem. Fui a única nota destoante da classe. Todos respondiam: médico, dentista, advogado, enfermeira, professora etc. Fui o único que disse que desejava escrever. Vi os risinhos dos colegas, o ar de mofa da professora. Mas não me dobrei. Segui o meu sonho. Na verdade, sigo até hoje esse sonho.
Não é nada fácil ser autor em nosso país e ver seu livro publicado.
As grandes editoras só se interessam pelos medalhões (ou então por livros de auto-ajuda) ou por livros traduzidos (best-sellers que já vêm com propaganda feita em seus países de origem).

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A Crítica Necessária À Autoridade Do Editor

O Homem Que Lutou Para Aceitar O Original De Um Novato — Ou A Crítica Necessária À Autoridade Do Editor
LUIZ SCHWARCZ
A relação entre os escritores e seus editores poderia render um blog exclusivo, monotemático. Não chegarei a tanto, mas pretendo explorar o assunto em vários posts. O tema é complexo, pode ser abordado por vários ângulos. Dedicação, lealdade e amizade que em muitos casos sedimentaram o trabalho compartilhado entre autores e editores são fonte de muitas histórias edificantes, que poderiam servir de incentivo a jovens que desejam se tornar profissionais do livro. Com maior divulgação, a história da relação de Max Perkins com seus principais escritores certamente atrairia muita gente ao mundo das editoras. Perkins foi o editor da Scribner, casa que descobriu e acompanhou as carreiras de F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Tom Wolfe, entre muitos outros. Mas o mercado hoje tem condições muito diversas daquelas que vigiam no mundo editorial americano da primeira metade do século passado.

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Pelo Direito da Mulher ao seu Corpo

BEAUVOIR E A LEGALIZACÃO DO ABORTO
SIMONE DE BEAUVOIR
[Excerto da obra “O Segundo Sexo”] – Importante: esta exposição de seu pensamento sobre a mulher data dos anos 1940 (a obra foi escrita a partir de meados dessa década e publicada em 1949), o que atesta o entrave evolutivo de 76 anos, ocorrido no Brasil, que vem impedindo a imprescindível Legalização do Aborto, haja vista seu caráter de questão de saúde pública.
A MÃE
É pela maternidade que a mulher realiza integralmente seu destino fisiológico; é a maternidade sua vocação “natural”, porquanto todo o seu organismo se acha voltado para a perpetuação da espécie. Mas já se disse que a sociedade humana nunca é abandonada à natureza. E, particularmente, há um século, mais ou menos, a função reprodutora não é mais comandada pelo simples acaso biológico; é controlada pela vontade.

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“Ciência Política”: Mais Política, Menos Ciência

ERIK HAAGENSEN GONTIJO
No dia 21 de dezembro de 2015, Chico Buarque foi abordado numa rua do Leblon por ostrogodos antipetistas que, aos latidos, o afrontaram por seu posicionamento pró-PT e por possuir um apartamento em Paris.
Um deles grita que “o PT é bandido”, no que Chico retruca: “Acho que o PSDB é bandido, e agora? /…/ Procure se informar mais, com base na revista Veja você não irá muito longe”.
A partir da repercussão desse fato, um professor de ciência política da PUC-SP afirmou, em artigo publicado na revista Carta Maior (edição de 28 de dezembro), que a fala de Chico Buarque simplesmente “barrou a suposta moralidade golpista”:

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Afinal… Quem é Simone de Beauvoir?

Simone de Beauvoir, em suas memórias, nos dá a conhecer sua vida e sua obra. Quatro volumes foram publicados entre 1958 e 1972: Memórias de uma moça bem comportada, A força da idade, A força das coisas e Balanço final. A estes, se uniu a narrativa Uma morte muito suave, de 1964. A ampliação desse empreendimento autobiográfico encontra sua justificativa numa contradição essencial ao escritor: a impossibilidade de escolher entre a alegria de viver e a necessidade de escrever; de um lado, o esplendor do contingente, do outro, o rigor salvador. Fazer da própria existência o objeto de sua obra, em parte, solucionar um dilema.

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Walter Benjamin (Parte III)

A OBRA DE ARTE
NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA (Parte III)
WALTER BENJAMIN
XII
A reprodutibilidade técnica da obra de arte altera a relação das massas com a arte. Reaccionárias, diante, por exemplo, de um Picasso, transformam-se nas mais progressistas frente a um Chaplin. O comportamento progressista é caracterizado pelo facto do prazer do espectáculo e da vivência nele suscitar uma ligação íntima e imediata com a atitude do observador especializado. Tal ligação é um indício social importante. Porque quanto mais o significado social de uma arte diminui, tanto mais se afastam no público as atitudes, críticas e de fruição – como reconhecidamente se passa com a pintura. O convencional é apreciado acriticamente e o que é verdadeiramente novo é criticado com aversão. No cinema, coincidem as atitudes críticas e de fruição do público. Neste caso, a circunstância decisiva é que em nenhum outro lugar, como no cinema, a reacção maciça do público, constituída pela soma da reacção de cada de um dos indivíduos, é condicionada à partida pela audiência em massa. À medida que essas reacções se manifestam, o público controla-as. A comparação com a pintura continua a ser útil. A pintura sempre foi apresentada para ser vista por uma, ou algumas pessoas. A observação simultânea de pinturas, por parte de um grande público, como sucede no século XIX, é um sintoma precoce da crise da pintura que, não só através da fotografia, mas também de modo relativamente independente dela, foi desencadeada pela pretensão da obra de arte, a dirigir-se às massas.

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Walter Benjamin (Parte II)

A OBRA DE ARTE
NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA (Parte II)
WALTER BENJAMIN
V
A recepção da arte verifica-se com diversas tónicas, quais se destacam duas, polares. Uma assenta no valor culto, a outra no valor de exposição da obra de arte10;11. A produção artística começa por composições ao serviço do culto. E lícito supor-se que estas composições sejam mais importantes pela sua existência do que pelo facto de serem vistas. O alce representado pelo homem da idade da pedra, nas paredes das suas cavernas, é um instrumento mágico. É certo que ele o expõe perante os outros homens, mas é principalmente dedicado aos espíritos. Hoje o valor de culto parece requerer que a obra de arte permaneça oculta: certas estátuas de deuses só são acessíveis ao sacerdote na sua cela, certas virgens permanecem cobertas durante quase todo o ano, determinadas esculturas em catedrais medievais não são visíveis observador que está no plano térreo.