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Pelo Direito da Mulher ao seu Corpo

BEAUVOIR E A LEGALIZACÃO DO ABORTO
SIMONE DE BEAUVOIR
[Excerto da obra “O Segundo Sexo”] – Importante: esta exposição de seu pensamento sobre a mulher data dos anos 1940 (a obra foi escrita a partir de meados dessa década e publicada em 1949), o que atesta o entrave evolutivo de 76 anos, ocorrido no Brasil, que vem impedindo a imprescindível Legalização do Aborto, haja vista seu caráter de questão de saúde pública.
A MÃE
É pela maternidade que a mulher realiza integralmente seu destino fisiológico; é a maternidade sua vocação “natural”, porquanto todo o seu organismo se acha voltado para a perpetuação da espécie. Mas já se disse que a sociedade humana nunca é abandonada à natureza. E, particularmente, há um século, mais ou menos, a função reprodutora não é mais comandada pelo simples acaso biológico; é controlada pela vontade.

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“Ciência Política”: Mais Política, Menos Ciência

ERIK HAAGENSEN GONTIJO
No dia 21 de dezembro de 2015, Chico Buarque foi abordado numa rua do Leblon por ostrogodos antipetistas que, aos latidos, o afrontaram por seu posicionamento pró-PT e por possuir um apartamento em Paris.
Um deles grita que “o PT é bandido”, no que Chico retruca: “Acho que o PSDB é bandido, e agora? /…/ Procure se informar mais, com base na revista Veja você não irá muito longe”.
A partir da repercussão desse fato, um professor de ciência política da PUC-SP afirmou, em artigo publicado na revista Carta Maior (edição de 28 de dezembro), que a fala de Chico Buarque simplesmente “barrou a suposta moralidade golpista”:

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Afinal… Quem é Simone de Beauvoir?

Simone de Beauvoir, em suas memórias, nos dá a conhecer sua vida e sua obra. Quatro volumes foram publicados entre 1958 e 1972: Memórias de uma moça bem comportada, A força da idade, A força das coisas e Balanço final. A estes, se uniu a narrativa Uma morte muito suave, de 1964. A ampliação desse empreendimento autobiográfico encontra sua justificativa numa contradição essencial ao escritor: a impossibilidade de escolher entre a alegria de viver e a necessidade de escrever; de um lado, o esplendor do contingente, do outro, o rigor salvador. Fazer da própria existência o objeto de sua obra, em parte, solucionar um dilema.

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Walter Benjamin (Parte III)

A OBRA DE ARTE
NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA (Parte III)
WALTER BENJAMIN
XII
A reprodutibilidade técnica da obra de arte altera a relação das massas com a arte. Reaccionárias, diante, por exemplo, de um Picasso, transformam-se nas mais progressistas frente a um Chaplin. O comportamento progressista é caracterizado pelo facto do prazer do espectáculo e da vivência nele suscitar uma ligação íntima e imediata com a atitude do observador especializado. Tal ligação é um indício social importante. Porque quanto mais o significado social de uma arte diminui, tanto mais se afastam no público as atitudes, críticas e de fruição – como reconhecidamente se passa com a pintura. O convencional é apreciado acriticamente e o que é verdadeiramente novo é criticado com aversão. No cinema, coincidem as atitudes críticas e de fruição do público. Neste caso, a circunstância decisiva é que em nenhum outro lugar, como no cinema, a reacção maciça do público, constituída pela soma da reacção de cada de um dos indivíduos, é condicionada à partida pela audiência em massa. À medida que essas reacções se manifestam, o público controla-as. A comparação com a pintura continua a ser útil. A pintura sempre foi apresentada para ser vista por uma, ou algumas pessoas. A observação simultânea de pinturas, por parte de um grande público, como sucede no século XIX, é um sintoma precoce da crise da pintura que, não só através da fotografia, mas também de modo relativamente independente dela, foi desencadeada pela pretensão da obra de arte, a dirigir-se às massas.

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Walter Benjamin (Parte II)

A OBRA DE ARTE
NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA (Parte II)
WALTER BENJAMIN
V
A recepção da arte verifica-se com diversas tónicas, quais se destacam duas, polares. Uma assenta no valor culto, a outra no valor de exposição da obra de arte10;11. A produção artística começa por composições ao serviço do culto. E lícito supor-se que estas composições sejam mais importantes pela sua existência do que pelo facto de serem vistas. O alce representado pelo homem da idade da pedra, nas paredes das suas cavernas, é um instrumento mágico. É certo que ele o expõe perante os outros homens, mas é principalmente dedicado aos espíritos. Hoje o valor de culto parece requerer que a obra de arte permaneça oculta: certas estátuas de deuses só são acessíveis ao sacerdote na sua cela, certas virgens permanecem cobertas durante quase todo o ano, determinadas esculturas em catedrais medievais não são visíveis observador que está no plano térreo.

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Walter Benjamin (Parte I)

A OBRA DE ARTE
NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA (*)
WALTER BENJAMIN
As nossas belas-artes foram instituídas e os seus tipos e usos fixados numa época que se diferencia decisivamente da nossa, por homens cujo poder de acção sobre as coisas era insignificante quando comparado com o nosso. Mas o extraordinário crescimento dos nossos meios, a capacidade de adaptação e exactidão que atingiram, as ideias e os hábitos que introduzem anunciam-nos mudanças próximas e muito profundas na antiga indústria do Belo. Em todas as artes existe uma parte física que não pode continuar a ser olhada nem tratada como outrora, que já não pode subtrair-se ao conhecimento e potência modernos. Nem a matéria, nem o espaço, nem o tempo são desde há vinte anos o que foram até então. E de esperar que tão grandes inovações modifiquem toda a técnica das artes, agindo, desse modo, sobre a própria invenção, chegando talvez mesmo a modificar a própria noção de arte em termos mágicos.
Paul Valéry: Pièces sur l’art. Paris (s. data) pp. 103/104 (‘La conquête de l’ubiquité”).

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Modernidade e Pós-Modernismo: Continuidade ou Ruptura?

Modernidade e Pós-Modernismo: Continuidade ou Ruptura?
GUSTAVO HENRIQUE LOPES MACHADO
Nos últimos tempos se tem feito muito alarde em torno do termo pós-moderno. As interpretações vão desde aqueles pensadores que veem no mundo após a segunda grande guerra, ou pelo menos desde o maio francês, uma nova forma de organização social, um novo período histórico, comumente designado de sociedade pós-industrial ou de pós-modernidade, até àqueles que veem no pós-modernismo uma mera corrente literária fora de moda. Em outras palavras, a questão gira em torno de se existe ou não uma ruptura entre o mundo contemporâneo e o que se convencionou chamar de modernidade.

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Lukács – O Assalto à Razão (excerto)

O Assalto à Razão – A Trajetória do Irracionalismo de Schelling a Hitler
GYORG LUKÁCS
Com os ideólogos progressistas do período de preparação da revolução democrático-burguesa, os pensadores da Ilustração tinham necessariamente que idealizar a sociedade burguesa e, primeiramente, a função social do egoísmo. Sem conhecer em sua maior parte a economia política clássica inglesa, e até, muitas vezes, antes mesmo de que esta surgira, expressam em sua ética a fundamental tese econômica de Adam Smith segundo a qual a conduta economicamente egoísta do indivíduo é o principal veículo para o desenvolvimento das forças produtivas e conduz necessariamente, em última instância, à harmonia dos interesses globais da sociedade.

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Judith Butler em Relato de Violência de Gênero (Vídeo)

“Como pode alguém ser assassinado por causa da sua maneira de andar?” (Vídeo em Destaque)
JUDITH BUTLER
Excerto do documentário lançado em 2006 pelo canal Arte France. Neste vídeo Judith Butler, filósofa dos movimentos de gênero, conta um acontecimento ocorrido na cidade de Maine, EUA, quando um garoto foi brutalmente assassinado, motivado, segundo ela, por um tipo de violência específico: a violência de gênero. Butler questiona: Como pode alguém ser assassinado por causa da sua maneira de andar?

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Teoria Queer – Uma Expansão do Feminismo

JUDITE BATLER: QUEER PARA UM MUNDO NÃO BINÁRIO
INÊS CASTILHO
Filósofa sustenta, num seminário em SP: “homem” e “mulher” são conceitos mutáveis – e movimentos desviantes de gênero são parte de uma vasta galáxia anticapitalista
Outrora eram os comunistas. Nos dias que correm, é contra os estudos de gênero que a Tradição, Família e Propriedade do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira investe suas armas: meia dúzia de gatos pingados protestando parados na porta do Sesc Vila Mariana, em SP, durante o “I Seminário Queer – Cultura e Subversão das Identidades”, realizado pelo Sesc e Revista Cult com curadoria de Richard Miskolci, da UFSC.
Bizarro!… Tudo a ver com a Teoria Queer, que trouxe até aqueles amplos espaços um caldeirão fervente de pessoas e informações desviantes. Uma figura masculina de seios fartos passaria numa direção, e já um jovem de fita no cabelo e andar flutuante em saia longa, em outra. No entorno, apreciável diversidade de raça, classe e gênero – o público mais pra idoso e popular do Sesc misturado àquele farfalhar às voltas com a Teoria Queer e sua criadora, a filósofa norte-americana Judith Butler, da Universidade da California (EUA).