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Angela Davis, Racismo e Feminismo Negro

Discurso de Angela Davis no Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha,
25.07.2017, na Universidade Federal da Bahia
ANGELA DAVIS
Eu não tenho nem condições de expressar a vocês o quanto estou emocionada por estar aqui nesta noite. Para mim, é assim que deveria ser a aparência da universidade. Quero agradecer à Ângela Figueiredo, ao Odara. Quero agradecer também ao NEIM pelo convite para homenagear o dia 25 de julho. Essa é minha quarta visita a Bahia e sexta ao Brasil.
Neste momento, me sinto extremamente envergonhada por ainda não ter aprendido português. Esse é o meu próximo projeto. Estou muito feliz por estar aqui celebrando com vocês o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. Na Bahia, o Julho das Pretas. Estou muito entusiasmada por estar aqui no Brasil, especialmente porque tenho acompanhado os acontecimentos que vêm se desenvolvendo dentro do movimento das mulheres negras.
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Ao Britinho, com amor.

IRMÃO SOLIDÃO
Higesipo Brito Júnior
22.11.1943 – 02.09.1998
LEILA BRITO
Como uma vida
se ocultando no ventre da mãe
como uma noite
se perdendo no escuro do céu
como uma concha
se escondendo no fundo do mar
força contida
na dor oprimida
na ausência sentida
na sorte exaurida de ter e sonhar.

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Sobre o Alvoroço da Visita de Betty Friedan ao Brasil

AS MULHERES
ROSE MARIE MURARO

Em 1971, a Editora Vozes fazia setenta anos, e a ideia era comemorá-los com tudo a que se tinha direito. Pedi licença ao diretor para trazer um autor estrangeiro. Eu queria convidar ou Nornan Brown, que fazia muito sucesso na época, Michel Foucault, ou então Betty Friedan. Madre Cristina, de São Paulo, me deu o livro de Betty Friedan para ler, e eu tinha gostado tanto que a tradução já estava pronta. Falei com ela ao telefone e ela se prontificou a vir só pela passagem, a estada e o que acontecesse, principalmente.

Fiquei com medo do evento, talvez porque eu esperava que seu livro ficasse fechado dentro das paredes das universidades. Mas, mesmo antes dela chegar, as coisas começaram a acontecer. O Pasquim fez uma entrevista preparatória comigo. Lá estavam Glauber Rocha, Paulo Francis, Ziraldo e toda a patota. Foi aí que percebi o que o feminismo realmente significava para os homens. Tenho certeza de que os “juntei”, porque eles não sabiam nada das articulações da opressão das mulheres com o econômico… Só pensavam no medo que as novas mulheres lhes causavam.
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O Racismo e o “Direito de Matar”

A ORIGEM DO RACISMO NA VISÃO DE FOUCAULT
LEILA BRITO
Parte I
A nova tecnologia de poder surgida na segunda metade do século XX
Trata-se do poder sobre a vida – Biopoder – sistema conformado na biopolítica da população, pois composto de mecanismos de regulamentação da assistência à mesma, que a toma como alvo, e não mais o indivíduo objeto do Poder Disciplinar. O poder não é mais exercido sobre o corpo do indivíduo (não mais se tem uma Microfísica do Poder), e sim sobre a vida da população. O poder não mais atua sobre o corpo individual, e sim sobre o corpo social.

Nesse processo, as doenças endêmicas, duradouras, que comprometem as condições de trabalho do indivíduo, sua força produtiva, recebem atenção do Estado, que passa a privilegiar ações de combate às mesmas. Assim, a medicina passa a exercer uma função política e o Estado uma função biolotizante. Tal biopolítica foi necessária para atender as exigências da evolução do sistema de produção capitalista.
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A Visão Apocalíptica de Bukowski

DINOSAURIA, WE
CHARLES BUKOWSKI

nascido assim
nisso

como o giz de faces sorridentes
como a Sra. Morte às gargalhadas
como as paisagens políticas dissolvidas
como o peixe oleoso cuspido
fora de sua oleosa vítima.

nós nascemos assim
nisso

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O Inconformismo De Bukowski

SE NEGA A DIZER NÃO
CHARLES BUROWSKI
Há uma solidão nesse mundo
tão grande que você
pode ver em câmara lenta
nas mãos de um relógio

pessoas tão cansadas
mutiladas por amor
ou pelo não amor
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O Underground Charles Bukowski

BUKOWSKI – BORN INTO THIS
ENTREVISTA
Qual é a sua definição de sexo?
Sexo é algo que você pode fazer, quando não consegue dormir. Eu não tive o meu pedaço de bunda até meus 24 anos. Eu não era um cara bonito. Não tinha dinheiro. Eu era um vagabundo.
Quem foi sua primeira mulher?
Pois bem, foi com uma puta de 300 kg. Desculpe, sabe? Como eu nunca fui do time da escola ou algo assim, eu era renegado. Então, eu conheci essa garota no bar e… Ela parecia gostar de mim. A primeira garota que gostou de mim, sabe? Ela tinha uma bunda enorme, ela era uma mulher.
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A Poesia Marginal De Bukowski

O GÊNIO DA MULTIDÃO
CHARLES BUKOWSKI
Há suficiente traição
ódio e violência absurda
no ser humano mediano
para abastecer qualquer exército
em qualquer dia
e os melhores em matar
são aqueles que pregam contra
e os melhores em odiar
são aqueles que pregam o amor
e os melhores na guerra
– finalmente – são aqueles
que pregam a paz.
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Luana Simonini em poética “Revoada”

REVOADA

LUANA SIMONINI

O que tem por trás das despedidas? Um abraço longo de duas pessoas que não sabem como será a partir dali.

Despedir é transbordar em reticências.

E eu transbordei, filha. Me afoguei no meu silêncio. Meus pulmões não suportavam mais respirar palavras.

Desmanchei.

Não sei onde perdi as cores da parede desse quarto. Sempre foram brancas? Encardidas como aquele espaço entre um azulejo e outro do banheiro? Um vazio preenchido da sujeira que deixamos pra lá, pra amanhã, pra nunca, pra sempre?

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O poder literário de Luana Simonini

O Poder Literário de Luana Simonini
LUANA SIMONINI

Escrever é confessar. Confesso. Tenho medo da página em branco.
E se a vida espera da gente coragem, como disse Guimarães Rosa, escolhi enfrentar o espaço vazio praticamente todos os dias.
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