Author: Leila Brito

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Revoluções Civis e Direitos

Navio Negreiro (1882) SOBRE OS DIREITOS RAQUEL DOMINGUES DO AMARAL Sabem do que são feitos os direitos, meus jovens? Sentem o seu cheiro? Os direitos são feitos de suor, de sangue, de carne humana...

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De Vênus para Vênus

PRIMEIRA MORTE LEILA BRITO Começava a morrer ali e já me conformava me preparava antecipando o momento.   Saí levada pelo eco das palavras lançada em resposta pisando no ar.   Conselho amigo me...

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Homenagem ao Amigo Escritor e Poeta Max Portes

HOMENAGEM AO ESCRITOR E POETA
MAX PORTES
(Caratinga, 14.10.1944 – Caratinga, 06.01.2014)

ELEGIA A NÓS MESMOS
MAX PORTES
a começar por nós
somos os outros

porque não vamos mais e além e depois
de nós mesmos –
nos deixamos plantados em esperas
pois havemos de voltar cedo ou tarde
quando seguir
é o inteirar-se da volta
nos amanhãs de ontens

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Diante da Lei

FRANZ KAFKA
Diante da Lei há um guarda. Um camponês apresenta-se diante deste guarda, e solicita que lhe permita entrar na Lei. Mas o guarda responde que por enquanto não pode deixá-lo entrar. O homem reflete, e pergunta se mais tarde o deixarão entrar.
– É possível – disse o porteiro –, mas não agora. 
A porta que dá para a Lei está aberta, como de costume; quando o guarda se põe de lado, o homem inclina-se para espiar. O guarda vê isso, ri-se e lhe diz:
– Se tão grande é o teu desejo, experimenta entrar apesar de minha proibição. Mas lembra-te de que sou poderoso. E sou somente o último dos guardas. Entre salão e salão também existem guardas, cada qual mais poderoso do que o outro. Já o terceiro guarda é tão terrível que não posso suportar seu aspecto.
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Confissão

LEILA BRITO
A dor adormeceu no berço da minha criança
deixei no porão da infância os meus medos
as assombrações já não me assustam
e já são outros os meus segredos. 
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A Esquerda na Barafunda Maquiabólica de Gramsci com Stalin

A Esquerda na Barafunda Maquiabólica de Gramsci com Stalin
ERIK HAAGESEN

Maquiavel foi um dos maiores teóricos, talvez o maior, da prática política.
Seu propósito, seu limite, seu drama e a razão de seu fracasso como ideólogo estão sintetizados na determinação histórica que simultaneamente os explica e caracteriza o pensador florentino enquanto, e contraditoriamente, gênio e retardatário, realista e utópico.

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Angela Davis, Racismo e Feminismo Negro

Discurso de Angela Davis no Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha,
25.07.2017, na Universidade Federal da Bahia
ANGELA DAVIS
Eu não tenho nem condições de expressar a vocês o quanto estou emocionada por estar aqui nesta noite. Para mim, é assim que deveria ser a aparência da universidade. Quero agradecer à Ângela Figueiredo, ao Odara. Quero agradecer também ao NEIM pelo convite para homenagear o dia 25 de julho. Essa é minha quarta visita a Bahia e sexta ao Brasil.
Neste momento, me sinto extremamente envergonhada por ainda não ter aprendido português. Esse é o meu próximo projeto. Estou muito feliz por estar aqui celebrando com vocês o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. Na Bahia, o Julho das Pretas. Estou muito entusiasmada por estar aqui no Brasil, especialmente porque tenho acompanhado os acontecimentos que vêm se desenvolvendo dentro do movimento das mulheres negras.
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Ao Britinho, com amor.

IRMÃO SOLIDÃO
Higesipo Brito Júnior
22.11.1943 – 02.09.1998
LEILA BRITO
Como uma vida
se ocultando no ventre da mãe
como uma noite
se perdendo no escuro do céu
como uma concha
se escondendo no fundo do mar
força contida
na dor oprimida
na ausência sentida
na sorte exaurida de ter e sonhar.

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Sobre o Alvoroço da Visita de Betty Friedan ao Brasil

AS MULHERES
ROSE MARIE MURARO

Em 1971, a Editora Vozes fazia setenta anos, e a ideia era comemorá-los com tudo a que se tinha direito. Pedi licença ao diretor para trazer um autor estrangeiro. Eu queria convidar ou Nornan Brown, que fazia muito sucesso na época, Michel Foucault, ou então Betty Friedan. Madre Cristina, de São Paulo, me deu o livro de Betty Friedan para ler, e eu tinha gostado tanto que a tradução já estava pronta. Falei com ela ao telefone e ela se prontificou a vir só pela passagem, a estada e o que acontecesse, principalmente.

Fiquei com medo do evento, talvez porque eu esperava que seu livro ficasse fechado dentro das paredes das universidades. Mas, mesmo antes dela chegar, as coisas começaram a acontecer. O Pasquim fez uma entrevista preparatória comigo. Lá estavam Glauber Rocha, Paulo Francis, Ziraldo e toda a patota. Foi aí que percebi o que o feminismo realmente significava para os homens. Tenho certeza de que os “juntei”, porque eles não sabiam nada das articulações da opressão das mulheres com o econômico… Só pensavam no medo que as novas mulheres lhes causavam.
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