Machismo e homofobia sobrevivem no comunismo?

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2 Comentários

  1. Diego disse:

    Achei interessante e, a quem está acostumado a pensar em termos de ontologias materialistas e/ou monistas, razoavelmente simples de compreender.
    Todavia, acho que a reflexão, ainda que pontual e acertada, perde de vista um aspecto importante do desenvolvimento do comportamento humano: a mudança dos ambientes é o que explica a mudança “subjetiva”, grosseiramente falando, mas tal como já notou o próprio Marx, a mudança na superestrutura não acompanha em ritmo a mudança na superestrutura, esta muito mais lenta. O que significa dizer que, ainda que coloquemos abaixo as relações humanas que caracterizam o capitalismo enquanto sistema político, econômico e social, não passamos uma borracha na história de vida de cada indivíduo vivo que viveu o “velho mundo” e agora compõe uma nova organização. A reeducação tem que ser constante e altamente conveniente, no sentido de convincente e socialmente “premiada”, para que os velhos hábitos percam seu lugar no repertório pessoal e os novos sejam devidamente instalados.
    Revolução é reforma, no sentido de que história de vida não se reseta. Ainda que os exemplos da História talvez não constituam o melhor possível para a argumentação filosófica, obras sólidas sobre a manutenção de uma lógica machista e de exclusão do gênero feminino nas sociedades supostamente comunistas que existiram (e ainda resistem) no planeta demonstram que tal relação não é tão necessária assim. Longe de cair no conto das políticas identitárias pós-modernosas e relativistas, ainda que as relações de propriedade privada, em última análise do próprio humano reificado, sejam derrubadas, as divisões das tarefas cotidianas e as atribuições sociais dos papéis de gênero ainda podem ser reproduzidas sem a menor criticidade, justamente porque velhos hábitos demoram a ser mudados, quando o são.

    Eu quero concordar que a derrubada de um sistema derruba tudo aquilo que lhe caracterizaria, mas as ciências do comportamento demonstram que mudanças de repertório dos indivíduos dependem de constância ambiental e, no mínimo, de um período turbulento de adaptação. O que vimos até hoje, ainda que não corresponda aos ideais filosóficos, não nos autoriza a afirmar essa relação de necessidade.

  2. Diego disse:

    A propósito, ao autor do post e à dona do blog, é um portal bonito e interessante. Esqueci, deselegantemente, de parabenizá-los. Esteja reparado meu imperdoável erro.

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