O “poder” segundo Foucault

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11 Comentários

  1. Leticia Pinheiro disse:

    O que eu mais gosto na filosofia é que ela nos leva não só a questionar mas a descobrir no cotidiano respostas para muitas indagações. Pensamos muito na questão de “poder” relacionado a política, principalmente quando sabemos da total ruptura com a dignidade e a honra que garanta a manutenção no “poder”. Vimos isso acontecer no Brasil com frequência, políticos que se corrompem para manter-se no poder.
    A sociedade é determinante para a estratégia de poder, porque como Foucault coloca ele circula entre as pessoas. Eu tento visualizar isso, pensando, por exemplo que, a forma de poder exercido aqui no Brasil pela classe política jamais seria aceita, no Japão, por exemplo. Então vou pensar o poder assim:

    “o nome dado a uma situação estratégica complexa numa sociedade determinada” (FOUCAULT, 1988, p. 103).

  2. Leila Brito disse:

    Letícia,

    Ao dizer que o poder funciona em rede, Foucault aponta para as relações de poder em todas as suas esferas sociais: começando pelo relacionamento pai/mãe-filho, depois estendendo-se para marido-mulher, professor-aluno, médico-paciente, patrão-empregado, Estado-prisioneiro, Estado-cidadão e por aí adiante, estando pois, o PODER, sujeito a ser abusado por qualquer cidadão comum (de ambos os sexos), no exercício de suas Relações Humanas.

    E mais: que é da célula infinitezimal (lá de baixo) que o poder emerge, pois como ocorre a reação em cadeia, ele vem de baixo para cima atuando de forma positiva ou negativa até alcançar o todo. É aí que chegamos ao topo da cadeia que representa o poder do Estado sobre o cidadão, em seus mais diversos setores: educação (escola), saúde (hospitais), trabalho (fábricas), direito (penitenciárias), um universo de instituições de poder regidas por leis que, por sua vez, são elaboradas e aplicadas pelo Estado, universo, este, minuciosamente explorado por Michel Foucault em seus estudos.

    No meu entendimento da teoria de Foucault, o que se deve considerar, prioritariamente, em relação ao PODER, é que independente do seu nível em sua própria escala hierárquica (se o mais baixo ou o mais alto, socialmente falando), ou seja, independente de ele atuar no todo de seu universo, que é o caso do Estado atuando sobre o cidadão de seu país, e até sobre o cidadão de outro país (e aqui me refiro ao poder político), ele é exercido por seres humanos, ou seja, por atores que o exercem, também, a partir de sua esfera infinitezimal, ou seja, a partir de seu poder de pai ou mãe, e também, a partir de sua submissão de filho ou filha. É essa a visão de poder que, a meu ver, Foucault quer nos mostrar. Que tudo se resumo no Homem – o Sujeito do Poder. Este sujeito que, somado a todos os outros, constitui a sociedade.

    Grata pela sua participação,

    Leila

  3. Prezada amiga Leila,

    Transpondo, inadvertidamente, para a nossa realidade, faria apenas uma pequena modificação na assertiva do prestigiado filósofo estruturalista:

    Certamente, “o objetivo hoje em dia não seja descobrir o que somos, mas recusar o que não-somos”.

    Explico-me: a razão disso também esteve presente na obra de outro renomado filósofo (J. P. Sartre) ao afirmar, categoricamente, que “Somos tão somente um ser-no-mundo, com desejo de ser um ser-para-o-mundo.

    A escola existencialista, frise-se, não reduz nem anula a estruturalista, apenas serve-se desta última para denunciar o individualismo insano não apenas do outro, mas de todos “nós” .

    Adorei a leitura do artigo.

    Abraços

  4. Walter Hauer disse:

    Uma frase famosa do J. P. Sartre é: “Detesto as vitimas que respeitam os seus carrascos”. Ela fala mais que muitos textos. O covarde, o canalha, reverencia o seu carrasco e não tem vergonha. Eu é que tenho vergonha deste “semelhante”. Se existe o direito de mandar, o mais sagrado dos direitos é desobedecer. Leila, gostei muito do seu comentario sobre o meu blog, a frase que acompanhou este trabalho foi esta do J. P. Sartre.

  5. Camila disse:

    Oi, será que vocês teriam um exemplo de um caso relacionado a escola estratégica de poder?

  6. Guilherme disse:

    Olá, estudando poder em Foucault e poder político em Darcy Azambuja, gostaria de lhe perguntar: qual a relação entre poder em Foucault e poder político em Darcy Azambuja?

  7. Leila Brito disse:

    Caro Guilherme…

    Infelizmente não posso ajudá-lo, pelo fato de jamais ter estudado Darcy Azambuja, autor de uma teoria do Estado. Talvez ele esteja mais para Hobbes do que para Foucault.

    No meu curso de Filosofia na FAFICH-UFMG, dentre os filósofos políticos, estudei mais a fundo apenas Maquiavel, Michel Foucault, Hannah Arendt, Jacques Derrida e Jürgen Habermas, mas aprendi um pouco sobre Hobbes, Kant, Hegel, Voltaire, Locke, Espinoza e alguns outros. Também fiz um curso de Marx, que não é considerado um filósofo político. E estudos aprofundados sobre Nietzsche, Platão e Sócrates.

    Para ser sincera, não conheço obras do filósofo gaúcho Darcy Azambuja.

    Desculpe por não poder ajudá-lo.
    Obrigada pela visita.
    Volte sempre!

    Abraço,
    Leila

  8. Daniela disse:

    Cara Leila, estou fazendo um trabalho sobre a HISTÓRIA DA SEXUALIDADE E A VONTADE DO SABER, e estou confusa com seu segundo capítulo, A HIPÓTESE REPRESSIVA, será que você pode me ajudar?

  9. Leila Brito disse:

    Cara Daniela…

    Eu assessoro na área científica (ver http://www.letraporletra.com.br) , profissionalmente, há mais de 20 anos, e esta ajuda que você está me pedindo constitue um complexo trabalho de pesquisa e redação, que exige tempo e dedicação exclusiva.

    Infelizmente, não posso atuar gratuitamente, pois sobrevivo do meu trabalho. Caso queira contratar-me, coloco-me à disposição para um contato direto, pelos telefones: 31 3225-4209 / 31 8849-4848 e/ou pelo e-mail: leilabrito.brito@gmail.com

    Grata pela visita ao Chá.com Letras.

    Leila

  10. Gostava de saber como é que funciona a transmissão do poder dos representantes na teoria moderna.

  11. Leila Brito disse:

    Caro Fernando…

    Os filósofos que estudei na minha pós-graduação em Filosofia, pois a graduação foi em Letras, que abarcaram essencialmente o Poder, foram Maquiavel – filosofia antiga (considerado o Pai da Filosofia Política), e Foucault – filosofia pós-moderna – teoria mais conhecida.

    Sobre a visão do poder na filosofia moderna, uma das referências é a teoria de Tocqueville (1805-1859). Sugiro que leia este artigo, onde o autor explica que “o ‘dilema tocquevilleano’ e que aqui formulo como interpretação ou releitura da tensão entre igualdade e liberdade tradicionalmente encontrada em sua obra, […] se expressa na concepção de que a liberdade política na sociedade igualitária de massas (a “democracia” como Tocqueville a denomina) depende de uma práxis e de um conjunto de valores cujos pressupostos tendem a ser destruídos pelo desenvolvimento continuado das disposições internas à própria democracia. O diagnóstico de Tocqueville acerca das sociedades modernas afirma que o individualismo inerente ao estado social democrático e o conseqüente confinamento dos homens nas esferas da privacidade são produtores de uma crescente indiferença cívica que constitui o caldo de cultura da emergência de um novo tipo de despotismo: uma forma de dominação política inédita ao mundo ocidental, que aparece como branda e tutelar, e que degrada os homens sem atormentá-los, mantendo os seus súditos, à maneira de um pátrio-poder sem fim, na eterna menoridade política.”

    Por outro lado, para você entender a evolução da teoria do poder – de Maquiavel, passando por Tocqueville até Foucault – seria importante que lesse algo sobre a teoria de Macquiavel, cuja síntese me atrevi a elaborar na minha pesquisa de final do curso sobre o filósofo, ministrado dentro da pós-graduação. Como obtive nota máxima no referido estudo, concluí ser o seu conteúdo de real valor, e por isso o publiquei aqui no Chá.com Letras.
    Link do artigo sobre a teoria de Maquiavel: http://www.chacomletras.com.br/2009/12/o-polemico-e-injusticado-machiavelli/
    Lin do artigo sobre a teoria de Tocqueville: http://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/jasmintocqueville.pdf

    Grata pela participação,

    Leila Brito

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